quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

RETIRANDO O PASSAPORTE



Na Polícia Federal, retirando meu passaporte, o funcionário me estende uma folha de papel e diz:

--- Escreve aí seu CPF com letra bem legível.


Obediente que sou, comecei a escrever: “nove”, “três”...


(final de 2014)

SEM COMENTÁRIOS




Entreouvido na noite carioca:

--- Eu conto toda a minha história e você não faz nenhum comentário!

--- Era pra fazer comentário? Por que você não disse antes? Aí eu teria prestado atenção.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

MENTE E CORPO







Mente e corpo são algo único e indivisível ou representam duas coisas diferentes? Para Woody Allen, “a mente abarca todas as mais nobres aspirações, como poesia e filosofia, porém o corpo é que fica com toda a diversão”. Segundo uma corrente filosófica bastante radical, o materialismo eliminativo, só o corpo é real e a mente simplesmente não existe. Isto até pode ser verdade, pelo menos em relação aos participantes do Big Brother Brasil, com seus corpos esculturais e cérebros inteiramente inabitados.
No meu caso em particular, mente e corpo estiveram sempre muito separados e nunca se entenderam muito bem. Para mim, meu corpo era meramente um meio de transporte, provisório, para a minha alma. Esta concepção se formou quando eu era criança, em função de minha educação católica, que me fez valorizar apenas a alma e desprezar o corpo. Aprendi que eu tinha que ser um bom menino para que a minha alma, imortal, fosse para o Céu após a morte do meu corpo, impuro.
Mais tarde, já que a Deise, minha sedutora colega do ensino médio, não queria nada comigo, passei a adolescência lendo Machado de Assis e Nelson Rodrigues, jogando xadrez e vendo no cinema ou em videocassete Hitchcock, Woody Allen, Frank Capra e Truffaut. É verdade que também jogava uma bolinha de vez em quando e sonhava em ser ponta-direita do Flamengo. Mas eu era tão ruim no futebol que acabei indo fazer faculdade de medicina mesmo. Afinal, por pior médico que eu viesse a me tornar, não mataria tanta gente quanto se fosse atacante do Mengão – os corações de milhões de torcedores não resistiriam a tantos gols feitos perdidos.
Na vida profissional, continuei negligenciando o corpo e me dediquei à psiquiatria, a especialidade médica que cuida das doenças da mente. E ainda fui fazer formação psicanalítica, onde aprendi que o corpo e o cérebro são meros detalhes inconvenientes. (Para ser justo, não era bem assim que Freud pensava. Se ele ressuscitasse agora e visse o que fizeram tomando seu santo nome em vão, com certeza cometeria suicídio!)
Todavia, recentemente, meu corpo resolveu se vingar e tive que dar mais atenção a ele. Num belo dia, forte fisgada na coluna lombar, do lado esquerdo. Este foi o laudo da ressonância magnética: “osteófitos marginais incipientes em L4, L5 e S1; abaulamento discal difuso em L4-L5 endentando o saco dural e as porções inferiores dos foramens neurais”.
Consultei-me com uma fisiatra, a dra. Elizabeth, que diagnosticou que eu tinha problemas quanto à consciência corporal. Eu já sabia disso e relatei a ela um episódio que ilustra bem essa minha dificuldade. Certa vez, eu tinha ido ver um filme do Bergman com uma amiga. Depois da sessão, enquanto debatíamos o profundo significado da obra, de repente ela soltou um grito: “tira a mão daí, seu...!”. Não adiantou nada eu dizer que minha consciência corporal era igual a zero e que eu não tinha a menor ideia de como a minha mão tinha parado ali, justamente ali. Levei o tapa no rosto do mesmo jeito...
A fisiatra também me disse que eu não conseguia escutar o que meu corpo dizia. Achei que ela iria indicar uma audiometria ou me encaminhar a um otorrino, porém, em vez disso, ela recomendou Pilates e RPG.
Na primeira vez em que fui à aula de Pilates, fiquei bastante confuso. Chegando lá, vi aparelhos que lembravam instrumentos de tortura da Inquisição, mas também diversas bolas grandes e coloridas. Eu não sabia se iam esticar todo o meu corpo até que eu confessasse ser um herege ou me botar para brincar. Depois vim a descobrir que as duas coisas acontecem.
A RPG, por sua vez, até hoje é para mim um pouco estranha. No início de cada sessão, fico ali deitado e, Clarissa, minha dedicada fisioterapeuta, puxa daqui e empurra de lá, tentando colocar minhas vértebras de volta ao lugar certo. Parece que estou em uma oficina de automóveis: é como se ela fosse o lanterneiro e eu, o carro amassado. Só a pintura ela não faz...
De uns tempos para cá, além do Pilates e da RPG, tenho feito caminhadas, voltei a nadar, parei de beber e só como alimentos saudáveis. Desisti da Academia Brasileira de Letras e entrei para uma academia de ginástica mesmo, onde faço Indoor Psycho, ou melhor, Indoor Cycle. Agora, em vez de currículo Lattes, tenho currículo Pilates. Em suma, nunca cuidei tão bem da minha saúde física. Transformei-me em outro homem e meus hábitos se modificaram profundamente: o tempo todo ouço música sertaneja, fui a um festival de filmes do Stallone, estou lendo um livro de autoajuda, mandei fazer meu mapa astral e marquei uma consulta com um numerólogo. Tem até me dado uma vontade irresistível de ver o Big Brother na TV!
Pois é, agora é a minha mente que está se sentindo negligenciada...


12/01/2012

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ESPÍRITO ZOMBETEIRO





Recentemente, uma colega acessou meu blog e comentou que as crônicas ali postadas pareciam não terem sido escritas por mim. Segundo ela, os textos eram tão diferentes do meu modo de ser que era como se eu tivesse outra personalidade. Minha cara, você matou a charada! De fato, não sou o autor de nada daquilo. Todas as crônicas, acredite, foram psicografadas. Sim, vez por outra, uma alma de outro mundo, um espírito zombeteiro, invade meu corpo e o usa para escrever todas aquelas bobagens.
Gostaria de deixar bem claro que, diferentemente do que aparece nas crônicas, sou um homem muito sério, extremamente religioso e temente a Deus. Não torço por nenhum time de futebol e nem sei quais são as cores da camisa do Flamengo. Nunca ouvi falar nessa tal de Scarlett Johansson e só tenho olhos para a minha linda esposinha, de quem jamais me divorciaria. Amo minha mãe e adoro todos os meus colegas de trabalho e vizinhos, especialmente o general Waldick, do 505. (Na verdade, nem existe um quinto andar no meu edifício. Por uma incrível falha de engenharia, na construção do prédio esqueceram-se do quinto andar e colocaram o sexto imediatamente acima do quarto.) Não vejo a menor graça nos filmes do Woody Allen e só assisto a documentários científicos. Continuo acreditando que a psicanálise, principalmente a lacaniana, é a solução para tudo e para todos, e, apesar de a minha terapia ter sido muito bem-sucedida, ainda vou às sessões oito vezes por semana. Por fim, nunca tive Facebook e... odeio escrever!
O problema é que, de uns tempos para cá, o espírito não tem se contentado mais em apenas me fazer escrever as crônicas. Ele agora tem também assumido o controle sobre meu corpo e minha mente nas mais diversas situações. Assim, meu querido amigo, não fique magoado comigo por eu tê-lo chamado de “careca arrogante, estúpido e sem escrúpulos” e, em seguida, tentado estrangulá-lo, até ser contido por vários de nossos colegas. Quando fiz isso, eu não era eu. O que aconteceu foi que o espírito tinha se apossado de mim.
Novamente eu não era eu quando, vestido com uma camisa rubro-negra, entrei no meio da torcida do Vasco, em São Januário, gritando um monte de impropérios e fazendo gestos obscenos. Era tão evidente que eu estava fora de mim que os vascaínos nem se incomodaram comigo e ficaram totalmente indiferentes ao meu comportamento. (Portanto, foi inteiramente desnecessária e despropositada a intervenção dos 117 policiais militares, que, me agarrando pelos braços e pernas, muito gentilmente me convidaram a me retirar.)
Eu também estava sob o domínio do espírito maligno quando, num bar em Fortaleza, após meia dúzia de chopes, subi na mesa e comecei a fazer strip-tease, enquanto cantava os maiores sucessos de Carmen Miranda. O mesmo se deu no episódio em que, no meio de uma aula de psicopatologia que eu ministrava, para espanto de toda a classe, pulei para cima de uma voluptuosa aluna sentada na primeira fileira, tendo caído dentro de seu muito generoso decote. (Agora, depois que voltei da suspensão, só permitem que eu ministre aula usando uma corrente que prende minha perna à parede, impedindo, assim, maiores saltos na minha imaginação.)
Bom, acredito que agora já esteja esclarecida a minha total inocência nesses lamentáveis fatos, dos quais, aliás, não me lembro de nada. Depois de quinze anos de análise, não tenho mais nenhum problema em assumir a responsabilidade pelos meus atos – desde que, é claro, meu corpo não esteja possuído por um espírito zombeteiro.

05/12/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

MEU GOSTO PELO ENSINO

 



Vários amigos – especialmente aqueles dois ou três que me acham um bom professor - me perguntam quando começou meu gosto pelo ensino. Na verdade, diferentemente do que muitos pensam, não foi durante o meu primeiro ano de residência médica, quando o professor Paulo Pavão me convidou para ministrar aulas de psicopatologia para os internos da psiquiatria da UERJ. Não, minha vontade de ensinar começou bem mais precocemente.
Começou quando eu tinha uns dezesseis anos e ainda cursava o segundo grau. Na época, eu era apaixonado por uma colega de turma chamada Deise. Eu a achava lindíssima e muito parecida com a Brooke Shields, por quem eu também era apaixonado e que aparecia seminua no filme A lagoa azul, grande sucesso entre os adolescentes de então. Volta e meia Deise, toda sedutora, aproximava-se de mim e dizia “me explica”, pedindo para eu lhe tirar as dúvidas das matérias do colégio. O modo como ela falava “me explica” era irresistível! Quem era eu para dizer não à Brooke Shields?! Claro que o meu raciocínio era o seguinte: eu daria a ela conhecimento e, em troca, receberia... sexo. Exatamente nesse momento, nasceu meu gosto pelo ensino. Pensando bem, na verdade o meu gosto pelo ensino era para ter morrido ali, pois não ganhei um beijinho sequer. Em contrapartida, burrinha que só ela, Deise também não conseguia entender quase nada do que eu lhe explicava. Contudo, ela acabou passando de ano, pois, além de ter um grande talento para a sedução, ela também era muito boa em colar nas provas. Colava não só de mim, mas também de outros rapazes, tão ingênuos quanto eu.
Revendo as fotos do colégio, percebo agora que Deise não era tão bonita e não se parecia em nada com a Brooke Shields, a qual, por sua vez, não chega aos pés da Scarlett Johansson, minha musa atual. Mas meus olhos adolescentes viam toda a beleza do mundo e toda a esperança de felicidade em Deise – e na Brooke Shields também.
Por onde andará Deise? Casou-se com um milionário? Seguiu seu talento natural e virou garota de programa? Desistiu da vida e se mudou para Portugal? Não faço a menor ideia. Eu é que, pelo menos metaforicamente, me vejo no mesmo lugar.
Sim, no mesmo lugar, pois, na carreira acadêmica, continuo explicando as coisas, na esperança de receber das outras pessoas algo valioso em troca. Não mais sexo, mas, agora, atenção e afeto. Em que outra situação na vida que não quando estou fazendo uma palestra ou ministrando uma aula tantas pessoas ficariam tanto tempo ouvindo o que tenho a dizer? Minha ex-analista, reconheço, me escutou por quinze anos... mas somente porque eu pagava uma fortuna a ela.
Encontro-me no mesmo lugar também porque continuo a me apaixonar a torto e a direito. Um pouquinho de atenção ou um simples sorriso já me fazem ver toda a beleza do mundo e toda a esperança de felicidade no outro. Pois é, já não tenho mais muito cabelo, preciso de óculos para ler e sinto dores na coluna lombar, no entanto continuo a ter dezesseis anos.
15/11/2011



domingo, 13 de novembro de 2011

MINHA QUEDA POR "UM CORPO QUE CAI"





Ao longo de minha vida, apaixonei-me por diversas mulheres – entre elas, a Scarlett Johansson -, por um livro – Dom Casmurro, de Machado de Assis -, por uma canção – Chovendo na roseira, de Tom Jobim -, por um time de futebol – nem preciso dizer qual – e por um filme.
Um corpo que cai (Vertigo, no original) é o meu filme favorito. Para começo de conversa, é dirigido por Alfred Hitchcock, meu cineasta preferido. Mas não o considero apenas o melhor filme do velho Hitch. Um corpo que cai, para mim, é o melhor filme de todos os tempos.
Assistir a Um corpo que cai pela primeira vez foi um momento mágico, inesquecível. Isso foi em 1984 e tinha eu uns dezenove anos. Já era fã do Hitchcock e já tinha assistido a Psicose, Intriga internacional, Os pássaros, Janela Indiscreta, entre muitos outros. Não imaginava, então, que o mestre do suspense pudesse ter feito algo ainda melhor. Mas fez. O filme estava passando no antigo cinema Veneza, em Botafogo, que não existe mais. Fui com meu amigo de adolescência Heraldo, meu amigo até hoje. Lembro-me de que saí do cinema extasiado, inebriado, como se estivesse ainda dentro de um sonho. Preferi retornar para casa a pé, embora tivesse que andar uma boa distância – e ainda atravessar um túnel -, para que a transição de volta para o árido e cruel mundo real pudesse ser mais lenta e, assim, menos brutal.
Quando Um corpo que cai foi lançado, em 1958, não fez muito sucesso, nem de crítica nem de bilheteria. Todavia, décadas depois, é figurinha fácil nas listas dos dez maiores filmes de todos os tempos. O que tem de tão especial nesse filme? Não sei explicar bem, para mim é algo muito pessoal. Não importa quantas vezes eu o tenha visto - pelo menos uma dúzia até agora -, sempre fico emocionado quando o revejo. Recentemente, eu estava participando de uma mesa-redonda, sobre cinema e saúde mental, quando uma colega, em sua apresentação, exibiu em vídeo a cena do suposto suicídio da suposta Madeleine (Kim Novak), supostamente saltando do alto da torre na antiga aldeia espanhola. Ainda bem que as luzes estavam apagadas e ninguém percebeu meus olhos marejados – eu suponho.
Mais do que um filme de suspense ou de mistério, Um corpo que cai é uma história de amor. Foi impossível para mim – e, penso eu, para qualquer espectador – não me apaixonar por Kim Novak e não me identificar com o voyeurismo de Scottie (James Stewart). Claro que o amor de Scottie por Madeleine é patológico, doentio e triste. Ele se apaixona por alguém que não existe, Madeleine, e se recusa a gostar da mulher real, Judy (também Kim Novak). E, além disso, tenta transformar a mulher real na idealizada, dando uma de Pigmalião, que, na mitologia grega, esculpiu a mulher perfeita e ainda se casou com ela.
A mensagem pessimista é que talvez toda paixão amorosa seja assim, um estado psicótico em que projetamos no outro somente coisas boas. Depois nos casamos com o ser amado e logo descobrimos que nada daquilo era real. Será que Pigmalião pediu a Afrodite que transformasse Galateia de novo em estátua, porque esta não parava de falar? Será que Pigmalião e Galateia acabaram se divorciando? Será que eu enjoaria da Scarlett Johansson?
A mensagem otimista é que Kim Novak era linda, Hitchcock era um gênio e Um corpo que cai será sempre um grande filme!
13/11/2011

sábado, 5 de novembro de 2011

MEUS SEGREDOS






Até recentemente, havia quatro coisas terríveis sobre mim, que eu não contava para ninguém. No entanto, agora que minha terceira ex-esposa, dando uma de Mia Farrow, acaba de publicar um livro em que revela todos os meus segredos mais íntimos e inconfessáveis, não tenho mais nada a esconder.
Um desses segredos é que tenho “Júnior” no nome. Nos últimos anos, tento tentado escondê-lo, assinando meus escritos simplesmente como “Elie Cheniaux”. Porém volta e meia ele reaparece impresso ao lado do meu nome, sem o meu consentimento, em um crachá de congresso ou no programa de algum evento científico, por exemplo. Aí reclamo, dou chilique, ameaço não aparecer para a minha apresentação, mas com frequência é tarde demais para se fazer a correção. Já aconteceu de alguém que me conhecia de nome, como “Elie Cheniaux”, vendo o “Júnior”, achar que eu não era eu, mas sim o filho de mim mesmo. Por que implico com o meu “Júnior”? Não deveria, pois com este nome ficou conhecido o Leovegildo Lins Gama Júnior, um dos maiores jogadores da História do Flamengo e aquele que mais vezes vestiu o Manto Sagrado. Além disso, é assim que minha doce e querida mãezinha me chama... Ah! Agora descobri por que não gosto do “Júnior”!
Outra coisa que sempre tentei omitir é que nasci em Niterói. Isto só aconteceu porque minha doce e querida mãezinha, que já morava com meu pai aqui na cidade mais linda do mundo – o Rio de Janeiro, é claro! –, cismou de me parir do outro lado da Baía de Guanabara, privando-me, assim, do orgulho de poder dizer que sou carioca. Fui para Niterói só para nascer, pois nunca morei num lugar diferente de Copacabana. Mas não vou ser totalmente ingrato com a minha cidade natal, pela qual sempre tive um grande carinho. Foi lá, especialmente na minha infância, que convivi com a minha avó materna, a pessoa que foi mais maternal comigo em toda a minha vida, e com o meu primo, o irmão que nunca tive. Além disso, Niterói tem uma belíssima vista – para o Rio, é claro!
 Outro segredo guardado a sete chaves é que sou tímido. ‘Tá bom, este segredo não é muito secreto, pois todas as pessoas que me conhecem e a torcida do Flamengo inteira sabem disso. A princípio, eu não sabia que era tímido, mas, com tanta gente me dizendo, passei a suspeitar que fosse verdade. E, mesmo depois de me convencer desse fato, eu continuava a negar, pois tinha vergonha da minha timidez. Mas, ao contrário do que falam, não se trata de um defeito; por sinal, é mais uma entre as 117 características que compartilho com o Chico Buarque. Sim, como todos sabem, temos uma enormidade de coisas em comum: moramos na zona sul do Rio, gostamos de futebol, torcemos por times cujas primeiras letras são F e L, amamos escrever, entre muitas outras – não vou citar todas para não cansá-los. Vivem me confundindo com ele na rua e ainda me pedem autógrafo!
Por fim, eu nunca havia contado a ninguém que não sabia dar nó em gravata. Sem dúvida uma vergonha para um homem com mais de quarenta anos na cara! Mas como, se há fotos em que eu apareço engravatado?! Montagem? Não, era meu pai quem dava o nó para mim. Agora que ele não está mais aqui, tive que me virar sozinho e, na semana passada, finalmente aprendi. Quem me ensinou foi meu amigo de adolescência e eterno amigo Fernando Augusto - boa gente, embora seja tricolor. Por algum motivo, ele me pediu que revelasse o nome dele. Ele quer passar para a História como o homem que ensinou o Elie Cheniaux a dar nó em gravata! Isso faz algum sentido? Será que imagina que milhões de pessoas vão ler esta crônica no blog ou vão comprar o meu livro e, assim, ele vai ficar mundialmente famoso?! Bom, quem sabe? Mas o importante é que estou me sentindo radiante! Agora consigo fazer algo que, em função de minha total falta de coordenação motora, parecia impossível para mim. Se eu fosse psicanalista – e, por acaso, eu sou -, diria que a gravata é um símbolo fálico e que estou me sentindo muito mais potente. Pode ser que Freud esteja certo. Agora você não me escapa, Scarlett Johansson! Imaginem só como vou me sentir quanto aprender a amarrar os sapatos!


02/11/2011