segunda-feira, 30 de março de 2020

FICA A DICA



“Se conselho fosse bom, ninguém dava de graça”.

Fica a dica...

AGRADECIMENTO AOS QUE COMPARECERAM AO LANÇAMENTO DO MEU LIVRO SOBRE O WOODY ALLEN



Quero agradecer imensamente às pessoas que foram me prestigiar nesse evento para mim tão especial e tão importante, o lançamento do meu livro sobre o Woody, na noite da última quinta-feira. Depois de um dia inteiro de trabalho, ainda tiveram que suportar uma longa e demorada fila na Travessa de Ipanema (Duas horas para alguns, me informaram!). Eu não poderia deixar de reconhecer o esforço e o sacrifício de vocês (Sim, estou me sentindo culpado.). Fiquei muito feliz e comovido com a presença de cada um! Juro que, depois de uma tarde angustiante recebendo dezenas de mensagens de “Parabéns! Sucesso! Mas infelizmente...”,  eu achava que só iria aparecer meia dúzia de gatos pingados.
Algumas pessoas generosas poderão retrucar, dizendo que mereço tanto carinho. Contudo, Hamlet, na peça de Shakespeare, diz o seguinte: “Se dermos a cada homem o que merece, quem escapará do açoite?”. Assim, se o trágico personagem estiver certo, graças a vocês saí no lucro. E muito!
Nunca me esquecerei. Vocês estarão sempre no meu coração! (Ao lado do Flamengo, do Zico, do Tom Jobim, do Machado de Assis, do Van Gogh, do Hitchcock, da Scarlet Johansson e, é claro, do Woody Allen.)


(Junho, 2019)

sexta-feira, 27 de março de 2020

O CORONAVÍRUS E EU


No iniciozinho deste ano, eu estava jantando com um amigo, quando, da caixa de som do restaurante, ouvimos uma música. Para puxar assunto, perguntei quem estava cantando. Indignado, meu amigo respondeu: “Como assim você não sabe quem está cantando?!”. E, expressando admiração, completou: “É Fulana!”. De fato, eu não conhecia aquela voz horrorosa, muito menos a letra mais do que pueril ou a melodia paupérrima. Porém, nada disso falei, com medo de ferir os sentimentos do meu amigo e, principalmente, de levar um soco na cara, já que ele é bem maior do que eu. Em vez disso, indaguei humildemente: “De onde eu deveria conhecê-la?”. Sua resposta debochada foi: “Do mundo”.
“O que tenho eu a ver com o mundo?!”, pensei. Ele não sabia, mas, desde meados do ano passado, eu resolvera romper com o mundo. Inconformado com a situação do planeta, especialmente do nosso país, eu tinha decidido me alienar. Eu não aguentava mais ver diariamente as notícias sobre violência urbana, desigualdade social, aquecimento global, guerras e corrupção ou demagogia dos nossos governantes. Só desgraça! Como se isso não bastasse, eu estava chocado com o sucesso extraordinário no meio artístico de pessoas sem qualquer talento, como a tal Fulana.
Então, da noite para o dia, eu, que lia diariamente 117 jornais do mundo inteiro, parei por completo de acompanhar o noticiário. Deixei até de ver a previsão do tempo, com medo de me aborrecer. Agora, se o mundo acabar, só vou saber uma semana depois.
No dia a dia, se estão discutindo perto de mim algo sério, principalmente política, me afasto ou tapo os ouvidos, para não saber de coisa alguma. Podem me chamar de alienado, de ignorante, mas, desde que tomei a decisão de me proteger do mundo, passei a sofrer menos e a me sentir mais feliz - ou, pelo menos, menos infeliz.
Tudo corria relativamente bem até que, nas últimas semanas, o mundo resolveu se vingar e me punir pelo meu comportamento. Foi armado um gigantesco complô contra mim, e, de uma hora para a outra, todos, ao mesmo tempo, resolveram me rejeitar. Recentemente, telefonei para um amigo, para chamá-lo para ir comigo a um jogo do Mengão no Maracanã, e ele, do outro lado da linha, começou a rir. No dia seguinte, enviei uma mensagem para uma linda moça, convidando-a para uma boate, e a resposta dela foi: “Você está maluco?!”. Todos os meus pacientes cancelaram as consultas comigo, e a minha analista e a minha fisioterapeuta não querem mais me atender. Por onde ando, as pessoas se afastam de mim e se recusam a me abraçar ou me beijar. Sequer consigo um aperto de mão!
‘Tá bom, admito que, no momento, as coisas não estão boas para mim. No entanto, estariam muito piores se eu tivesse voltado a ler as notícias.




27/03/20